segunda-feira, 28 de maio de 2012

Quem ama preserva. Preservar o meio ambiente, é preservar a VIDA.

Por do Sol na Aldeia Kalapalo
Sobrevoando o Parque do Xingu

Sobrevoando o Parque do Xingu


Sobrevoando o Parque do Xingu

Fotos: Maria Eduarda Souza

terça-feira, 22 de maio de 2012

Aldeia Kamayurá








Kamayuras aprovando o projeto do Instituto Xingu

Maria Eduarda Souza e Tititco Kamayura





Declaração da ONU sobre o Direito dos Povos Indígenas faz cinco anos




Fórum dos indígenas na ONU termina nesta sexta
Fórum dos indígenas na ONU termina nesta sexta
A Declaração das Nações Unidas sobre o Direito dos Povos Indígenas completa cinco anos. Para o indigenista e assessor da presidência da Fundação Nacional do Índio, Funai, o documento trouxe avanços.
André Albuquerque representa o Brasil no Fórum Permanente das Questões Indígenas, que acontece na sede da ONU, em Nova York.
Políticas
“A gente tem o exemplo do Congo, que inclusive elogiou o Brasil no Fórum esse ano como um exemplo de política indigenista. A legislação deles para povos autóctones (nativos) foi editada ano passado e foi inspirada, em grande parte, pela Declaração da ONU sobre o Direito dos Povos Indígenas. Há ainda muitos desafios, claro, mas eu acho que há o que celebrar em termos de avanço da proteção e da promoção dos povos indígenas no mundo, não só no Brasil.”
Segundo André Albuquerque, os indígenas formam 1% da população brasileira e ocupam 13% do território nacional. O representante da Funai diz que combater o preconceito contra os índios é um dos maiores desafios.
Discriminação
“São 220 povos, falando 180 línguas diferentes. Eu acho que é um processo lento e gradual de desmistificar, de esclarecer, de trazer informação, para que o brasileiro consiga perceber o índio como um cidadão do Estado, um cidadão que tem outras referências culturais. Mas que essas diferenças servem para engrandecer a nossa diversidade, a nossa cultura e não para disputas.”
André Albuquerque disse ainda que a Funai realizou na ONU um evento paralelo sobre políticas de demarcação de terras indígenas no Brasil.
Descobrimento
Na opinião do presidente da Assembleia Geral, a declaração é um “marco que inspirou mudanças positivas para a proteção das comunidades indígenas.”
Nassir Abdulaziz Al-Nasser discursou nesta quinta-feira em um evento comemorativo ao aniversário da declaração.
A 11ª sessão do Fórum Permanente das Questões Indígenas termina nesta sexta-feira. Neste ano, o tema do encontro é a doutrina do descobrimento.
Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York
fonte: Jornal Joseense
Reportagem retirada do site: Indígenas em Ação
http://www.xingu-otomo.net.br/declaracao-da-onu-sobre-o-direito-dos-povos-indigenas-faz-cinco-anos/

quinta-feira, 10 de maio de 2012

As Aventuras de um Caraíba no Xingu - Parte 2


Foto: Amanhecer na Lagoa Mawutsini - Aldeia Kamayurá


Acredito que dentro de cada ser humano exista um anseio por aventura, que vem da remota linhagem dos homens que viviam nas selvas, savanas e em todos os ambientes onde a capacidade de caminhar ereto e pensante não era a qualidade que lhes mantinha vivos. Começo assim o segundo "capítulo" deste pequeno relato, pois foi já no segundo dia de convívio com os índios Kamayurás que fomos à pesca, peça fundamental para a sobrevivência nesse ambiente. Saímos eu, meu companheiro de viagem Murilo, Samu e AiraKaru, dois filhos do Cacique Kotok, em direção ao local onde eles costumavam pescar, mais ou menos trinta minutos de barco a motor e umas três horas a remo. Uma vista indescritível, como a maioria por aqui.

A tradição dos índios xinguanos, antes da chegada da "civilização" às suas portas, era pescar com arco e flecha (que ainda acompanha os nativos nas pescarias), porém atualmente, a pesca é feita com redes que chegam a cinquenta metros e com linhadas presas a pedaços de isopor, que funcionam como bóias. Enfim, chegamos ao local onde pegaríamos os lambaris, a serem feitos de iscas para os peixes maiores, apesar do índio comer a grande maioria dos peixes que vivem na lagoa Mawutsini, o alvo era o tucunaré e o pintado, peixes muito saborosos e apreciados. Esticávamos a rede (de aproximadamente dez metros) e batíamos na água na direção contrária à rede para que os peixes fossem na direção da prisão iminente, e foi bem sucedida nossa tentativa, tínhamos, depois de uma meia hora, lambaris suficientes para a próxima etapa, as bóias. Jogávamos as iscas em direção ao centro da lagoa e largávamos as bóias na água, a uma distância aproximada de trinta metros ou pouco mais da margem, e em seguida remávamos um pouco para jogar a próxima isca.

Depois de todo o trabalho inicial, restava a espera atenciosa a ver se uma das bóias se movia, para passar o tempo, continuávamos a capturar lambaris, também para o caso de não pegarmos nada.
Não demorou muito para que os olhos aguçados de AiraKaru vissem a última bóia ser arrastada, era um tucunaré de tamanho razoável, começamos bem, logo em seguida mais duas bóias se mexiam e nós íamos atrás deles com toda a pressa, para ver qual surpresa aquela linha nos traria. Depois de quatro horas de pescaria e quatro tucunarés de bom tamanho, voltamos à aldeia para o almoço, que seria feito com os peixes que levávamos.

Na chegada, fomos recebidos pela criançada que "banhava" na lagoa, curiosos em saber se havia sobrado um lambari ou algum peixe pequeno para que eles pudessem garantir sua "refeição" antes mesmo de respondermos já iam enfiando a mão no balde de peixes e corriam com um, às vezes dois peixinhos, para suas ocas, afim de assá-los à fogueira eterna.

No caminho encontramos o grande pajé e lhes entregamos um dos tucunarés, o que o deixou muito feliz. Nesse trajeto, todos que passavam por nós perguntavam o resultado da pescaria, e lhes respondíamos com orgulho sobre os tucunarés que pegamos.
Assim que entramos na oca, o balde de peixes sumiu na mão de uma das mulheres que prontamente começou a limpar e preparar o peixe para o fogo.

Em alguns minutos estava pronto o peixe, em parte assado, em parte utilizado para fazer o pirão, massa consistente de mandioca com o peixe batido no pilão. Comemos satisfeitos, por ver que provemos alimento à oca, e por saborear aquele peixe que quebrava o nosso jejum.
Uma primeira experiência muito interessante, tanto pela pescaria com os índios quanto pelas perguntas que nos eram direcionadas na pescaria, como se o barco funcionasse como um divã de dúvidas sobre as cidades e a vida nelas. Uma delas, que me impressionou pela ingenuidade e curiosidade do índio, e que me arrancou boas risadas, foi uma feita pelo AiraKaru. Perguntou-me se era verdade que existiam vampiros, ou se era só "na TV", respondi, para sua surpresa que era verdade (o que lhe causou um espanto nítido), mas que eram só morcegos que se alimentavam de sangue, e que homens com dentes afiados e capas longas não eram vistos e nem se tinha notícia deles, o que instantaneamente aliviou os dois índios que estavam prestando atenção na resposta.


A mensagem que ressaltou minha mente foi o quanto eles acreditavam no que um caraíba dizia, sem sequer ter fundamento ou confiança nele. E, tristemente, o quanto os povos perderam através dessa confiança cega na bondade daqueles que interferiam nas suas vidas.

Por Gustavo Carl Korte

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Aventuras de um caraíba no Xingu


Conheça um pouco da experiênica de Gustavo Korte na Reserva do Xingu.

Depois de cinco longuíssimos anos estudando Direito em São Paulo, decidi fazer as malas e partir, não só partir da babilônica cidade, mas também partir da hipocrisia que a vida "civilizada" propõe. Há muito tempo muitos vêm participando (e eu planejando) deste ritual de abandono da vida regrada e controlada pelos milhares de olhos cobradores, que cobram status, dinheiro e vem cobrando também a reticência da indiferença que matou e continua matando nossos iguais de fome, sede e tristeza.

Como buscava o bruto, fui ao primário humano na nossa terra, o índio. Saí de São Paulo rumo ao (des)conhecido Xingu, mais especificamente à aldeia Kamayurá, situada nas margens da Lagoa Mawutsinin. 
Cheguei depois de longas horas em ônibus e barco, deparei-me com uma vista surreal, às margens do Tuatuari, braço do Rio Xingu que é acesso à aldeia, a luz do sol espelhava a água criando um duplo céu, rodeado de árvores bravas do cerrado alto brasileiro. Cena no mínimo calmante, diante de uma ansiedade latente de chegar logo. Enfim, a aldeia.

Na entrada, fui recebido por um bando de crianças e jovens curiosos a saber quem era aquele "caraíba", e se ele havia trazido presentes. Cena comum em quase todas as outras aldeias que visitei no passado, em viagens que fiz pela América Latina e Brasil. Notei que algumas daquelas crianças portavam walkmens e algumas vestiam roupas, o que me entristeceu um pouco. Depois de passar por algumas Ocas, grandes casas em forma elíptica feitas de madeira e sapé, com uma portinha na frente e outra atrás, a ansiedade dentro do carro foi crescendo e queria pular para fora e sair correndo a pé para chegar logo. Muitos curiosos olhavam através da pequena porta, o que o carro da "Saúde" trazia para eles.

Quando finalmente cheguei na casa principal, que eles chamam casarão, onde mora o cacique, aportei no meu destino e fui recebido pelo chefe da aldeia Kotok e sua imensa família, todos sorridentes e dispostos a ajudar. Em poucos minutos minha rede tinha sido instalada pelos filhos e filhas dele e já me sentia em casa. Me surpreendi por ter sido recebido com Miojo, que não sei da onde surgiu, mas caiu-me muito bem depois de seis horas de barco sem comer, comi a iguaria da "civilização" e fui conhecer o resto da família. Nesta primeira impressão, percebi o quão felizes são esses gentis habitantes das selvas do Xingu, sempre sorrindo, sempre dispostos a ajudar, com uma cultura, a qual ainda não havia presenciado bem, mas já podia sentir a magnitude, imensamente rica. Dormi como se tivesse nascido lá mesmo. 

Gustavo Carl Korte.

terça-feira, 24 de abril de 2012

As águas do Xingu

Conheça mais sobre o Rio Xingu

O Rio Xingu é um rio brasileiro que nasce no estado de Mato Grosso, que segue pelo estado do Pará e deságua próximo à foz do rio Amazonas.O rio tem aproximadamente 1870 km de extensão.
Na região de sua cabeceira abriga o Parque Indígena do Xingu, o primeiro parque indígena do Brasil, sendo a principal fonte de água e alimentos para uma população de cerca de 4.500 índios que vivem no Parque. Constantemente ameaçado pela expansão da fronteira agrícola, com o consequente desmatamento na região de seus principais formadores, que se encontram todos fora da área do Parque. O rio Xingu é afluente do Amazonas, ficando à margem direita desse poderoso rio.

A área do parque, que conta com mais de 27 000 quilômetros quadrados (aproximadamente 2 800 000 hectares, incluindo as terras indígenas Batovi e Wawi), está situado ao norte do estado de Mato Grosso, numa zona de transição florística entre o planalto Central e a floresta Amazônica. A região, toda ela plana, onde predominam as matas altas entremeadas de cerrados e campos, é cortada pelos formadores do rio Xingu e pelos seus primeiros afluentes da direita e da esquerda. Os cursos formadores são os rios Kuluene, Tanguro, Kurisevo e Ronuro - o Kuluene assume o nome de Xingu a partir da desembocadura do Ronuro, no local conhecido pelos indígenas como Mÿrená (Morená). Os afluentes são os rios Suiá Miçu, Maritsauá Miçu, Auaiá Miçu, Uaiá Miçu e o Jarina, próximo da cachoeira de Von Martius.

Veja mais fotos de Lagoas e rios dentro da Reserva.
Fotos exclusivas do Save Xingu







quarta-feira, 28 de março de 2012

Viagem para a Aldeia Kamayurá


Bom dia, quero contar para vocês em detalhes como foi nossa viagem de ação humanitária para a Aldeia Kamayurá.




Na sexta feira, dia 9 de março,  ocorreu um grave incêndio na aldeia Mawutsini da etnia Kamayurá do alto Xingu. Cerca de 150 pessoas ficaram desabrigadas e perderam todos os seus pertences. O Instituto de Pesquisa Save Xingu realizou uma campanha de doação de alimentos não perecíveis e material de construção para a aldeia Kamayurá no Xingu.


A campanha foi um sucesso e conseguimos superar nossas expectativas! Chegamos no Parque Indígena do Xingu com o avião carregado de doações!!!


Em primeiro lugar gostaria de agradecer ao grande colaborador e presidente do Instituto Xingu, Philippe Meeus, que nos proporcionou o avião para levar todo o carregamento. Sem seu apoio, nada disso teria acontecido.
Nosso convidado especial foi Mario Alverà, representante do The Climate Project na Itália, fundação do Al Goreque foi acompanhar de perto toda essa ação! 



Quero agradecer também a todos que colaboraram de alguma forma, em especial ao nosso grande parceiro Toni Lotar do Jornal "Lance!", seu apoio gerou muita alegria e emoção em todos que participaram dessa campanha e viagem!


Também queremos agradecer em especial ao Roberto Tancredi, Antonio Carlo Jacon, Ana Salac e Pedro Sol que foram grandes parceiros na organização da campanha e conscientização da população. Um grande abraço para Kuana Kamayurá, que luta de forma incansável pela proteção de sua tribo e nossas amigas Valéria Gusmão e Liliam Maria.


Obrigada a todos do Método DeRose, em especial as diretoras das escolas do Rio de Janeiro: Vanessa de Holanda, Melina Flores e Julieta Chuairy que abriram os braços e suas unidades para receber nossas doações. E aos nossos parceiros do Método em São Paulo: André Mafra e o instrutor, Rafael Texeira. Não tenho palavras para agradecer!



Um enorme beijo de agradecimento a Beatriz Schymura, grande parceira do Save Xingu em diversas ações, que se prontificou e trabalhou diariamente na construção e elaboração dos cartazes de divulgação. Muito obrigada por ter tornado a campanha mais colorida e bonita!

Estou muito feliz com o sucesso dessa ação realizado pelo Instituto de Pesquisa Save Xingu. Estamos trabalhando para valorizar e preservar cada vez mais a cultura indígena e oferecer ao mundo o conhecimento e sabedoria dessa incrível sociedade.


Fique ligado para mais notícias, fotos e vídeos sobre o Xingu!

Grande beijo, Maria Eduarda Souza





















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